COVID-19 | PELO NOVO CORONAVÍRUS

Aumenta atendimento de quem se diz reinfectado, dizem médicos no Amazonas
A nova variante foi descoberta por pesquisadores e teve origem no Amazonas após mutações que a tornaram o novo coronavírus mais contagioso.


Juraci Pereira Dourado, que diz que teve covid-19 em maio e que agora acredita estar infectada de novo Imagem: Carlos Madeiro/UOL

Pacientes com sintomas de covid-19 que estão buscando atendimento na rede de saúde do Amazonas dizem que foram infectados pela segunda vez. Nos últimos dias, o UOL ouviu relatos de pessoas que tiveram ou acompanham parentes que tiveram a doença na primeira onda e agora estão novamente com sinais da doença.

Reinfecções por covid-19 já foram registradas pela ciência —há casos publicados no mundo inteiro. Oficialmente, o Amazonas tem apenas um caso de reinfecção confirmado por meio de exames detalhados e sequenciamento genético.

 
Entretanto, como os critérios de confirmação são rigorosos, a maioria dos casos não tem como ser confirmada por testes, seja por falta de exame RT-PCR na primeira ocasião ou por não ter exames que provem que o paciente ficou livre do vírus no intervalo entre as infecções, entre outras causas.

Profissionais de saúde das unidades, porém, relatam que tem se tornado frequente a procura por serviços médicos por pacientes que citam uma segunda infecção.

Volta mais forte

Juraci Pereira Dourado, 71, diz que teve covid-19 em maio e que agora acredita estar de novo com a doença. "Não fui internada na primeira vez, mas fiz o exame depois de me curar e deu que tinha anticorpos", afirma a aposentada.

Passados oito meses da primeira contaminação, ela relata que, no dia 4 de janeiro, voltou a sentir sintomas, mas percebeu uma maior gravidade. "Dessa vez é muito mais forte, deu muita diarreia, vômito, dor de garganta e cansaço. Tossi demais, aí decidi procurar o médico. Ele pediu um raio-x e exame e disse que era covid", afirma.

Para avaliar os danos causados pela doença, ela fez uma tomografia em Manaus ontem e estava saindo do hospital para voltar a Manacapuru (100 km da capital), onde mora, e ter consulta com o médico que a acompanha. "Ele disse que deu um problema pequeno no pulmão e que queria me ver e conversar comigo lá", diz.

Caso precisa de internação

Outra paciente que está internada com covid-19 é Maria de Jesus, 69, que mora na zona leste, periferia de Manaus, e está internada desde sábado no hospital 28 de Agosto, maior pronto-socorro da capital.

Na porta da sua unidade, a filha da paciente, Glória dos Santos, 46, conta ao UOL que a sua mãe teve covid-19 ainda em março, logo no começo da pandemia. "Ali a gente achava que era uma gripezinha, como disse o presidente [Jair Bolsonaro]. Ela teve febre e um cansaço moderado, mas tratou em casa com inalação, não precisou internar", relata.[20.jan.2021 - Glória dos Santos - Carlos Madeiro/UOL - Carlos Madeiro/UOL]

Maria começou a sentir os sintomas no dia 5. "Desta vez foi mais forte que a primeira: ela teve cansaço, febre e estava com a pressão muito baixa, por isso a levamos ao hospital", diz.

Antes de ser internada, Maria tentou tratamento em casa com ivermectina e azitromicina, mas não teve efeito. A filha dele admite que comprou os remédios sem orientação médica. "Quem receitou foi o 'povo'. A gente ouve falando que tem de tomar, aí ela tomou", afirma.

Segundo Glória, sua mãe está bem, com quadro de saúde estável e fazendo uso de oxigênio, mas fora de um respirador. "Eu imaginava que esse vírus era mesmo que nem a gripe, que dava mais uma vez. A gente tinha essa noção, agora é esperar ela ficar boa e voltar para casa", disse.

 
Suspeita de reinfecção

O infectologista Noaldo Lucena, que atua em hospitais e em uma clínica popular particular em Manaus, afirma que os profissionais já haviam comentado e percebido a chegada de pacientes que se queixavam da doença pela segunda vez. "Antes de a ciência confirmar reinfecção aqui, nós, da parte clinica, já estávamos suspeitando disso", afirma.

Ele cita que a queda da imunidade era algo esperado e previsto por artigos científicos. "Um trabalho da [revista] 'New England' falava — da cepa anterior— que essa imunidade durava em média de 4 a 6 meses. Uma quantidade menor estaria com uma por menos menos tempo; e uma outra parte também menor estaria por oito meses" afirma.

"Eu brinco e digo: quem fez [a doença] de março a junho já está com o prazo de validade vencido. E ainda tem mais: essa nova cepa pode ser que escape da imunidade", diz Lucena.

A nova variante citada pelo infectologista foi descoberta por pesquisadores e teve origem no Amazonas após mutações que a tornaram o novo coronavírus mais contagioso. No estado, a nova cepa reinfectou de covid-19 ao menos uma mulher que tinha anticorpos ativos dias antes de contrair novamente o vírus com a nova variante.




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