POLÍTICA | NA PARAÍBA

Prefeita cola cartazes em unidades de saúde e pede que pacientes reclamem de mau atendimento
Cartaz diz que funcionários que não tratam bem os pacientes devem pedir exoneração. MPT-PB diz que vai abrir inquérito para apurar excesso. Sindicato dos médicos repudiou atitude da prefeita.




Cartazes foram afixados em unidades de saúde de Bayeux, PB — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Um cartaz colado na frente de unidades de saúde da cidade de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, causou polêmica entre os servidores do município no primeiro fim de semana do ano. O cartaz, assinado pela prefeita Luciene Gomes (PDT), tem um recado para os funcionários das unidades e uma orientação para os pacientes ligarem para ela em caso de receberem mau atendimento na rede municipal.

A TV Cabo Branco e o G1 tentaram falar com a prefeita, mas ela não quis gravar entrevista.

Você que é funcionário do hospital pago com recurso público, trate bem as pessoas, se não for para atender bem o paciente, não venha trabalhar ou peça exoneração, ninguém procura o hospital para passear, com certeza tem alguma necessidade. OBS: Me ligue ou mande mensagem em caso de reclamação, você que é usuário, tomarei as providências na hora!”, diz o texto do cartaz, que contém ainda o número do telefone do serviço “Alô Prefeita”.

A reportagem da TV Cabo Branco entrou em contato com o número fornecido pela prefeita no cartaz para saber como funciona o serviço.

Repórter: “Alô, boa tarde, com quem eu falo?”
Atendente: “Isabele Ferreira, assessora da prefeita e responsável pelo ‘Alô Prefeita’”.
R: “Aqui quem fala é Hebert Araújo, jornalista da TV Cabo Branco. Estamos fazendo uma reportagem sobre o serviço e verificando a eficiência do sistema, se estão atendendo. Este número fica disponível quando, por exemplo, hoje é domingo à tarde, ele funciona o tempo inteiro?”
A: “Todos os dias da semana”.
R: “Vocês já receberam algum tipo de denúncia, reclamação, desde que foram colocados os cartazes?”
A: “Já sim, não só sobre saúde, mas também sobre outras situações. A gente está tentando resolver da melhor forma possível”.


Moradores do município e usuários do sistema de saúde comentaram sobre o cartaz, aprovando a medida. “Eu achei uma indireta para os funcionários. Porque a realidade hoje em dia é você chegar no hospital, entrar e ver funcionários mexendo no celular, o atendimento péssimo”, diz o operador de máquinas Maycon Douglas.

A opinião também é compartilhada pelo metalúrgico Marcondes Fernandes. “Eu achei de suma importância, porque se alguém realmente procura um hospital é porque está com necessidade. A gente precisa ser bem tratado pelos funcionários”.

Apesar dos elogios de alguns moradores da cidade, o cartaz recebeu críticas por parte de entidades que representam os servidores.
 

O sindicato dos médicos lamenta a atitude da prefeita de Bayeux que, de forma disfarçada, tenta resolver os problemas da saúde do município se voltando contra os profissionais de saúde e de apoio. A gente sabe que os problemas na verdade são falta de materiais, de medicamentos, de segurança no ambiente de trabalho. Isso sim leva a população à insatisfação”, diz Márnio Costa, presidente do Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB).

 
O sindicato dos servidores municipais de Bayeux também se pronunciou sobre o caso. “Nós, enquanto sindicato, informamos a todos vocês, servidores efetivos, prestadores, comissionados, que estaremos tomando as medidas cabíveis para coibir esse tipo de prática ameaçadora contra os trabalhadores”, diz Germana Vasconcelos, presidente do sindicato.

O Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB) informou que vai abrir um inquérito para apurar se houve excesso por parte da prefeita. “Em tese, o gestor pode instaurar uma ouvidoria no âmbito do município para averiguar como é que ocorre o tratamento de seus servidores em relação aos usuários do sistema. Todavia, o que não pode haver são posturas abusivas como cobranças de metas inatingíveis, exposição à situações humilhantes, péssimas condições de trabalho, não fornecimento de equipamento de proteção individual. Ou seja, toda vez que o administrador torna o ambiente de trabalho opressivo ou inadequado à saúde do trabalhador, seja ela física ou psíquica, existe sim um assédio moral organizacional, então o MPT vai instaurar um inquérito e averiguar com cautela o que de fato está ocorrendo”, explicou o procurador do trabalho Eduardo Varandas.




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