PARAÍBA | POR QUASE R$ 1 BILHÃO

Empresa americana compra fábrica de cimento paraibana
O Grupo Elizabeth pertence à família Crispim, que tem cinco fábricas de cerâmica na Paraíba, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.




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O Farallon Capital está comprando uma fábrica de cimento do Grupo Elizabeth por um enterprise  value de quase R$ 1 bilhão, uma transação que ajuda um dos mais tradicionais grupos ceramistas nacionais a reduzir seu endividamento, pessoas a par do assunto disseram ao Brazil Journal.

A planta, que foi inaugurada em 2015 e tem capacidade de 1,2 milhão de toneladas/ano, fica no município de Alhandra e compõe o chamado Polo Cimenteiro Paraibano, no litoral sul do Estado, uma região generosa em minas de calcário.

O Grupo Elizabeth pertence à família Crispim, que tem cinco fábricas de cerâmica na Paraíba, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.

O Farallon — um dos maiores hedge funds do mundo — estava conversando com a família sobre um aporte financeiro quando a pandemia criou a oportunidade de negócio. O fundo americano está pagando uma parte em cash e assumindo parte das dívidas do grupo. O closing depende de negociação com os bancos, que estão acontecendo agora. Apesar de separada do grupo, a fábrica continuará usando a marca Elizabeth.

O negócio de cimento está sofrendo há pelo menos cinco anos, com capacidade ociosa resultante da crise de 2016. Este é o primeiro ano realmente bom para o setor e, no Nordeste, melhor ainda, em grande parte graças ao coronavoucher.
Dados do sindicato da indústria mostram que as vendas no Nordeste estão em alta de quase 11% no período de janeiro a julho, contra 6,5% da média nacional.

O Brasil é o quarto mercado mundial de cimento: a produção dobrou — de 36 milhões de toneladas para 72 mi — entre 2003 e 2014, mas caiu 26% nos anos desde o Governo Dilma.

Grandes transações no setor são relativamente raras.

Em 2016, o grupo grego Titan Cement Group comprou 50% da Apodi — uma operação de 2 milhões de toneladas/ ano criada pelo empresário Ivens Dias Branco. Dois anos depois, a Buzzi Unicem — um grupo italiano — comprou 50% da Brennand Cimentos pagando R$ 750 milhões, ou 22x EBITDA.

No mesmo ano, a Vicat francesa comprou a Ciplan, um dos maiores produtores do Centro-Oeste com 3,2 milhões de toneladas, por € 140/tonelada.
Não está claro se o Farallon pretende revender o ativo no curto prazo ou operá-lo por mais tempo, o que poderia envolver oportunidades de consolidação.

 
O Nordeste é o mercado regional de cimento mais fragmentado do País, disputado por players como Votorantim, InterCement, LafargeHolcim, Polimix, Apodi, Brennand e a própria Elizabeth.




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