GERAL | EM BRASÍLIA

Ministério de Marcos Pontes gastou R$ 138 mil para comprar letreiro de lata
Letras metálicas de pouco mais de um metro de altura ficam na frente do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.




Raphael Veleda/Metrópoles

Como boa parte dos brasilienses está adotando medidas de isolamento social por causa do coronavírus, muita gente não viu, mas o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações resolveu adicionar 13 letronas à sopa de letrinhas da capital federal: as iniciais da pasta esculpidas em aço. As letras foram instaladas na frente dos blocos que a estrutura ocupa na Esplanada dos Ministérios há cerca de um mês e meio.

A pasta comandada pelo astronauta Marcos Pontes enfrenta graves problemas de orçamento e convive com a imposição de cortes de bolsas de estudo. Portaria editada pelo governo em março deste ano, por exemplo, excluiu os alunos de ciências humanas dos que podem receber bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para colocar o letreiro, porém, houve dinheiro. O Metrópoles questiona a pasta há mais de um mês sobre o custo da instalação, que fica em cima de plataformas com rodas e pode ser recolhida para a área interna do ministério. A informação só foi repassada por meio de um pedido via Lei de Acesso à Informação.

 
Segundo o MCTIC, o grupo de letras de aço tipo “metalon” custou R$ 138,6 mil. Elas foram produzidas, ainda de acordo com a pasta, pela empresa Movimento Gráfica “que possui contrato para fornecimento de produtos gráficos junto ao MCTIC”.

No bloco que fica na via S1, além das letras que identificam a pasta de Marcos Pontes, há o MDR de Ministério do Desenvolvimento Regional. O motivo é o fato de os dois órgãos dividirem o mesmo espaço. Mas o ministério comandado por Rogério Marinho informou, via assessoria de imprensa, que ganhou a identificação de presente dos colegas de prédio e não tinha nada a ver com a iniciativa.

Em contato telefônico há algumas semanas, um assessor do MCTIC justificou informalmente a compra das letras como parte das comemorações pelos 38 anos da pasta. Ele prometeu uma nota oficial com mais informações, mas a resposta nunca chegou.

O assessor informou também que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) teria autorizado a colocação dos letreiros, que têm pouco mais de um metro de altura.




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