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Como os empreendedores de Silicon Valley se preparam para o apocalipse
Matéria publicada em 2017.




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MATÉRIA DO PORTAL VISÃO DE 26.1.2017

O fascínio - e o medo - pelo fim dos tempos espalha-se que nem rastilho de pólvora pelos milionários da tecnologia. Há cada vez mais super-ricos de Silicon Valley a preparar-se para o apocalipse… e a comprar bunkers de luxoO repórter da revista The New Yorker descreve ao pormenor o Survival Condo Project, um complexo subterrâneo de 15 andares, construído dentro de um silo anti-nuclear, situado numa zona campestre do estado americano do Kansas, entre campos de milho e de soja.

É guardado por uma força de elite e divide-se em 12 apartamentos de luxo (cada um custa três milhões de dólares). Tem uma lotação de 75 pessoas e disponibiliza comida e combustível suficientes para cinco anos.

Além disso, simula uma espécie de vida “underground”, com ecrãs em vez de janelas, mas onde se podem ver as paisagens preferidas – da pradaria à volta do silo às florestas mais densas, simulando até as vistas do Central Park, de Nova Iorque, em qualquer estação, a qualquer hora do dia.

“É puro relaxamento para os ultra-ricos”, diz Larry Hall, o presidente do complexo. “Podem vir para aqui e deixar os seus filhos correr à vontade, sabem que têm guardas armados lá fora”, acrescenta. Guardas que, em caso de crise, podem ir buscar qualquer residente a qualquer lugar, num raio de 650 quilómetros.



E agora a pergunta mais pertinente: para quê tudo isto?

Há muito que a América se fascina com o fim do mundo e o que fazer para sobreviver. Filmes como 12 Macacos, A Estrada ou Matrix são bons exemplos desse fascínio (ou será medo?). E há muito que surgem grupos de pessoas, intituladas preppers (os que se preparam para), com essa preocupação, acumulando comida em latas de conserva, por exemplo.

Os ricos vão mais longe, como noticia a The New Yorker. Além dos bunkers, diz a revista, está na moda, entre os executivos de Silicon Valley, comprar quintas ou outras propriedades na Nova Zelândia, país considerado suficientemente remoto para permitir a sobrevivência a uma catástrofe.

Mas qual catástrofe? Uma bomba nuclear vinda da Coreia do Norte é mais provável do que um ataque de zombies? Quem pode dizer?

Meteoritos, tsunamis, terramotos, ataques informáticos que levam ao colapso das instituições… tudo é possível na equação do medo. Mas os executivos de Silicon Valley juntam outro receio. “E se o país se vira contra os ricos? Se se revolta contra as inovações tecnológicas?”, teme Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn, garantindo que pelo menos metade dos executivos das empresas tecnológicas se estão a preparar para o pior.

O maior receio é o de uma revolta generalizada, provocada pela falta de empregos, “roubados” às classes mais baixas pela inteligência artificial. Não é tanto a revolta das máquinas; trata-se aqui do levantamento dos pobres. Ou a repetição da Revolução Russa em Silicon Valley.

Antes que rolem cabeças – de forma literal – os ricos das tech compram armas, munições, motos, máscaras de gás e bunkers. A preparação para o caos pode ainda implicar operações mais delicadas.

Como a que fez Steve Huffman – fundador e presidente do site Reddit, avaliado em seis mil milhões de dólares – que se submeteu a uma cirurgia a laser aos olhos. Não por razões estéticas ou de saúde. “Se o mundo acabar, arranjar óculos ou lentes de contacto vai ser uma grande chatice. E sem eles estou f…”.




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