POLÍTICA | INFARTO

Gustavo Bebianno, ex-ministro de Bolsonaro, morre no RJ




Ricardo Borges/Folhapress

Ex-secretário geral da Presidência, Gustavo Bebianno morreu na manhã de hoje em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. A informação foi dada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem do UOL. Ele tinha 56 anos de idade e sofreu um infarto fulminante.

Ao UOL, o presidente do diretório do PSDB do Rio de Janeiro, Paulo Marinho, disse que ele passou mal por volta das 4h de hoje. "Infelizmente, é verdade. Passou mal, foi levado ao hospital, tentaram reanimá-lo, mas não resistiu", afirmou por telefone.

Bebianno estava em casa com seu filho quando se sentiu mal, por volta das 4h. Ao ir ao banheiro tomar um remédio, desmaiou. Ele foi levado para um hospital da cidade, onde morreu. Ainda não há informações sobre o velório.

De aliado a desafeto de Jair Bolsonaro, Bebianno foi o pivô da primeira crise política do governo. Atualmente no PSDB tinha planos de se candidatar à Prefeitura do Rio nas eleições desse ano.

Nas redes sociais, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), lamentou a morte do colega de partido. "Com profundo pesar recebi a notícia da morte de Gustavo Bebianno. Seu falecimento surpreende a todos. O Rio perde, o Brasil perde. Bebianno tinha grande entusiasmo pela vida e em trabalhar por um País melhor. Meus sentimentos aos familiares e amigos nesse momento de dor", publicou o tucano no Twitter.

Ascensão política

Advogado de formação, Gustavo Bebianno Rocha nasceu no Rio de Janeiro em 18 de janeiro de 1964. Em 2017, ele foi apresentado ao então deputado federal Jair Bolsonaro, oferecendo-se para defendê-lo gratuitamente em diversas causas. Em pouco tempo, os dois estabeleceram uma relação de confiança.

Bebianno se filiou ao PSL —partido de Bolsonaro entre janeiro de 2018 e novembro de 2019— em março de 2018, mas deixou a sigla poucos meses depois, em outubro, após o segundo turno da eleição presidencial. Neste período, chegou a presidir o partido.

Durante esse período, teve atuação importante durante todo o período envolvendo o atentado a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) durante a campanha presidencial. O advogado acompanhou o presidenciável durante na viagem à cidade mineira, e esteve a seu lado inclusive durante a cirurgia para tratar o ferimento.




Ruptura com clã Bolsonaro

Com a eleição de Bolsonaro, Bebianno se tornou o secretário-geral da Presidência da República. No entanto, apesar de ter assumido a função em 1º de janeiro de 2019, deixou o cargo pouco depois, em 18 de fevereiro, em meio a um racha no PSL em decorrência das denúncias de candidaturas laranjas da sigla.

O caso veio à tona em 4 de fevereiro de 2019, quando a Folha de S. Paulo publicou que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), participou de um esquema durante a campanha eleitoral do ano anterior para se beneficiar de verbas públicas destinadas ao cumprimento de cotas de gênero no partido - pelo menos 30% do fundo partidário deveria ser destinado às candidaturas de mulheres. O ministro escolheu cinco candidatas, que receberam montantes posteriormente destinados a empresas dos assessores dele. As candidatas, juntas, tiveram menos de cinco mil votos.

Bebianno inicialmente foi colocado como responsável pela liberação das verbas, o que foi negado por ele. Afirmava ter informado Jair Bolsonaro sobre os casos já em 2018, tornando-se protagonista da primeira crise do governo Bolsonaro. A família do presidente negava a existência das conversas, mas áudios confirmaram a versão do advogado. Fora da função, Bebianno disse, em entrevista à rádio Jovem Pan, que foi "demitido pelo Carlos Bolsonaro" em referência às discordâncias com o filho do presidente, vereador no Rio.

Em dezembro, Bebianno se filiou ao PSDB a convite de João Doria, governador de São Paulo. No começo de março, os dois anunciaram a pré-candidatura do ex-PSL à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Ainda no começo de março, entrevistado pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, fez mais críticas a Bolsonaro e admitiu preocupação com o governo federal. "Não tenho bola de cristal, não sei o que vai acontecer. Mas temo por uma ruptura institucional", declarou na ocasião. "Ele praticamente não trabalha pelo Brasil. O risco é esse, a começar pelos filhos. AI- 5 para cá e para lá, críticas infundadas a outros poderes", completou.




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