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Fábrica de gesso em detenção na PB é referência para o país
A Fábrica produz revestimentos internos de gesso 3D, considerados um dos melhores do mercado, cimentício (mistura de gesso com cimento) externo, revestimento para piso externo, blocos de gesso, artigos decorativos e vasos exclusivos.




Reprodução/TJPB

Reconhecida regionalmente pela qualidade de suas peças, a Fábrica Escola Gesso Esperança Viva da Penitenciária de Segurança Máxima Criminalista Geraldo Beltrão tem o objetivo principal de ressocializar apenados e diminuir os índices de reincidência, por meio do trabalho. A Fábrica teve o apoio do Poder Judiciário estadual, por meio do 1º Juizado Especial de Mangabeira, que deferiu o financiamento do projeto apresentado pela Fundação Cidade Viva e liberou recursos para aquisição de equipamentos e materiais necessários.

A Fábrica produz revestimentos internos de gesso 3D, considerados um dos melhores do mercado, cimentício (mistura de gesso com cimento) externo, revestimento para piso externo, blocos de gesso, artigos decorativos e vasos exclusivos. Em média, são utilizadas mais de quatro toneladas de gesso por mês.Juiz Carlos NevesSegundo o juiz titular da Vara de Execução Penal (VEP) da Comarca de João Pessoa, Carlos Neves da Franca Neto, o Poder Judiciário estadual, por meio dessa unidade judiciária, é ciente de sua responsabilidade social e empreende esforços para viabilizar diversos projetos. “Incessantemente, buscamos melhorias nos estabelecimento prisionais de João Pessoa, visando a humanização no cumprimento da pena e a reintegração das pessoas privadas de liberdade à sociedade”, ressaltou

Atualmente, dez reeducandos, em regime fechado, trabalham na fábrica e a produção é voltada ao comércio externo. O principal canal de vendas dos produtos é o Instagram, pela página oficial da Fábrica: @gessoesperancaviva. Por meio do CNPJ do Conselho da Comunidade de João Pessoa, o consumidor pode realizar sua compra utilizando o cartão de crédito. Por ser um projeto de natureza social, o preço do produto está abaixo do mercado, sendo o metro quadrado comercializado por $ 18,00. Já o preço comum gira em torno de R$ 45,00. 

De tudo que é arrecadado com as vendas, 30% é depositado em contas bancárias administradas pelos familiares dos presos. Ou seja, mesmo dentro do presídio, os gesseiros sustentam suas famílias e geram mais empregos indiretos, como mais gesseiros, pessoas que trabalham com frete e empresas parcerias de Arquitetura e de ambiente interiores. O projeto sustentável permite, ainda, a diminuição da pena, já que, em harmonia com a Lei de Execução Penal, a cada três dias trabalhados, um dia é abatido da condenação. João RosasO idealizador do projeto e gerente-executivo de Ressocialização da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, o economista e pedagogo, João Rosas, disse que o projeto nasceu há três anos e a Fábrica Escola Gesso Esperança Viva qualifica, profissionalmente, os reeducandos e ressocializa os que trabalham na iniciativa, como ainda traz a perspectiva de inserção no mercado de trabalho formal. “Outro conceito utilizado para implantação do projeto foi o do empreendedorismo, já que o custo de instalação de uma fábrica na própria residência é baixo”, disse. 

Ele explicou que o arrecadado com a venda de produtos é gerenciado pelo Conselho da Comunidade da Capital, com a manutenção das instalações da unidade, reinvestimento no projeto e recolhimento dos impostos. “O mais importante é saber que os reeducandos que trabalham podem conseguir uma profissão e terem uma convivência social, quando ganharem a liberdade, traçando um caminho diferente daquele que os levou a prisão, melhorando sua autoestima e, ainda, como consequência legal, terem a pena reduzida através da remição pelo trabalho”, comentou João Rosas. Ele também disse que mais de 100 presos já passaram por algum tipo de qualificação profissional na Penitenciária Geraldo Beltrão.José de ArimateiaSegundo o diretor da Penitenciária, José de Arimateia, às vendas pelo Instagram deram um impulso na Fábrica de Gesso e na divulgação dos produtos. “Inclusive, estamos trabalhando com um projeto de ampliação da fábrica e vamos precisar capacitar mais reeducandos. Isso significa menos reincidência e mais ressocialização, com investimento de projetos pessoais”, calculou.

Reeducandos - José da Silva Martins, nascido em Pedras de Fogo, está na Penitenciária há seis anos e trabalha na Fábrica de Gesso há quase dois anos. Ele é responsável pela produção e acabamento das peças em gesso. “Em comecei trabalhando na cozinha e, com os cursos administrados pelos Senai, consegui entrar para a equipe que faz o gesso 3D. Minha vida mudou por conta do trabalho. Quando sair daqui, quero retomar meu emprego de funcionário público e montar minha pequena fábrica de gesso”, informou. José Martins é casado, tem dois filhos e, atualmente, mora em João Pessoa. Ele pode deixar a penitenciária ainda este ano.

Preso há 18 anos, Severino Mariano Nascimento é natural de Campina Grande está na produção de jarros e placas de cimentício há quase dois anos. “Eu sinto que melhorei muito e nem penso em voltar a praticar outro crime. O que eu quero é arrumar um trabalho em gesso, logo que sair daqui. Se Deus quiser, esse ano eu saio e vou seguir minha vida, ao lado de minha família”, enfatizou. Severino é casado e tem um filho. 

Hoje, 271 apenados estão na Penitenciária de Segurança Máxima Geraldo Beltrão. Todos cumprem pena em regime fechado.












 




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