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Cinzas de paraibanos mortos na Espanha chegam a PB
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Qua, 11 de Janeiro de 2017 05:18

Cinzas chegam quase quatro meses depois dos corpos serem encontrados. Família foi encontrada morta na casa em que morava em Pioz, na Espanha

Quase quatro meses após ser encontrada morta em um chalé em Pioz, na Espanha, chegaram a João Pessoa no início da tarde desta terça-feira (10) as urnas com as cinzas da família paraibana assassinada. Mas os restos mortais de Marcos Campos, Janaína Américo e dos filhos, Davi e Maria Carolina, só podem ser entregues à família na quarta-feira (11). Isso porque as urnas precisam passar por uma inspeção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Receita Federal. Só depois elas podem seguir para o cemitério na capital paraibana, onde devem ser velados e sepultados.

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Os corpos das quatro vítimas foram achados esquartejados em uma casa na cidade espanhola de Pioz em setembro, depois que um vizinho alertou sobre o mal cheiro perto da casa da família, a cerca de 60km de Madri.

Após o início das investigações, a Justiça emitiu uma ordem de prisão europeia e internacional contra Patrick Gouveia, sobrinho de Marcos, que se entregou um mês depois e confessou o crime. Ele declarou que matou os quatro porque “achou” cruel matar apenas o tio. O jovem segue preso na Espanha.

"Depois de tudo, ainda temos que enfrentar a burocracia e a falta de comunicação entre os órgãos", reclamou o irmão de Marcos, Walfran Campos, sobre a impossibilidade de já sair do aeroporto com os restos mortais dos familiares. Segundo ele, a família deve comparecer às Receita Federal às 9h (horário local) da quarta-feira para que um servidor do órgão acompanhe um dos parentes na liberação das urnas. "É mais um sofrimento para nossa família", reclamou.

Momento de dor

"Esse momento é de muita dor, de muita tristeza pra gente. A gente não esperava que na nossa família sucedesse uma coisa tão terrível. Eles foram inteiros e estão voltando as cinzas", disse emocionado Walfran, ainda no aeroporto onde pousou o avião que transportou as cinzas. "Uma coisa dessa destruir uma família inteira, não é fácil não", disse a irmã de Marcos, Ana Nogueira.

Já o irmão de Janaína, George Américo, desabafou que é difícil para a família acompanhar o andamento da investigação na Espanha, especialmente por conta da língua e dos termos locais. Para eles, a dor só vai ser amenizada "quando a justiça na Espanha for feita". 

Questionados sobre como estão lidando com a perda, George diz que a religião tem ajudado muito a manter a esperança. "A vida de todos nós está acabada, mas vamos tentar retomar agora", disse. 

Cinzas viajam desde segunda-feira

As cinzas foram enviadas na segunda-feira (9), dezoito dias após a cremação. Os restos mortais da família vítima da chacina saíram de Madri às 18h41 de segunda-feira (9), horário de Brasília, e chegaram a São Paulo por volta das 5h30 desta terça-feira (10). Somente por volta de meio-dia desta terça, as urnas fizeram o último trecho da viagem e chegaram em solo paraibano por volta das 14h15 (horário local).

Segundo a família, as cinzas vão ser levadas em um carro funerário até o cemitério Parque das Acácias, em João Pessoa, onde serão depositadas em caixões com flores. Uma missa está sendo programada para ser celebrada na Igreja São Gonçalo, no bairro da Torre, em João Pessoa na quarta-feira com a presença das cinzas das quatro vítimas.

Na quinta-feira (12) acontece o velório público, das 9h às 16h, ainda no Parque das Acácias. O velório será aberto e o enterro acontece às 16h (horário local) no mesmo cemitério.

Atraso na repatriação dos corpos

De acordo com Walfran Campos, irmão de Marcos, pai da família assassinada, havia uma previsão das urnas chegarem somente na quinta-feira (11), mas o voo foi atencipado e as cinzas chegaram na quarta-feira. Walfran confirmou que além do irmão, Janaína Américo e as crianças Davi e Maria Carolina tiveram os corpos cremados em uma funerária em Guadalajara, na Espanha, no dia 23 de dezembro.

O atraso na repatriação das cinzas aconteceu por conta do período de final de ano e devido à burocracia na emissão da documentação de uma das vítimas, o filho mais novo do casal, de um ano, que havia nascido na Espanha, mas não tinha sido registrado. 

Os corpos da família paraibana assassinada foram liberados pela justiça espanhola no dia 20 de dezembro, mas faltava a expedição das certidões de óbito por parte do consulado brasileiro na Espanha, para que as urnas com as cinzas fossem levadas para uma empresa de aviação.

Crime narrado pelo WhatsApp

Patrick Gouveia, o sobrinho de Marcos que confessou ter matado a família, teria recebido "dicas" do amigo Marvin através do WhatsApp. O jovem de 18 anos foi preso no bairro Jardim Oceania, em João Pessoa, no dia 28 de outubro. Segundo o delegado de homicídios Reinaldo Nóbrega, o estudante Marvin Henriques Correia chegou a receber fotos e manter uma conversa em tempo real com Patrick durante a execução do crime

Marvin Henriques foi solto no dia 30 de novembro e vai responder ao processo em liberdade, cumprindo medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica, ficar recolhido em casa todos os dias das 22h às 6h (horário local) e comparecer mensalmente em cartório.

Já Patrick foi preso no dia 21 de outubro, encaminhado ao presídio de Alcalá Meco, mas foi transferido ao presídio de Estremera, na província de Madri, pois estaria sendo ameaçado de morte or outros detentos latino-americanos.

Segundo o jovem confessou à polícia, não foi a primeira vez que ele sentiu vontade de matar alguém. “Três dias antes [do crime], senti a necessidade de matar. Isso acontece muitas vezes, desde os 12 anos. Quando isso acontece, eu bebo muito”, declarou o jovem em depoimento.

G1 PB

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